A Importância da Alimentação Saudável

Hoje em dia, falar em como se alimentar saudavelmente, tornou-se um assunto diário, seja  tomando um cafezinho num restaurante ou através dos principais meios de comunicação como televisão, internet, artistas e etc.

As pessoas ficam enlouquecidas com tanta informação, pois a cada momento aparece um vilão ou um herói novo da alimentação. Fica complicado para nós, os profissionais da área de Medicina Preventiva e Nutrologia, lidarem com estes aspectos. Sendo que o importante seria entender que cada organismo é único e que não existe nada que seja bom para todo mundo.

Identificar esta individualidade é a chave para uma vida plena e saudável.

Vários fatores influenciam a absorção e metabolização dos alimentos, como por exemplo:

  • Idade;
  • Origem;
  • Fatores genéticos;
  • Sexo;
  • Flora intestinal;
  • Enzimas digestivas, etc..

Identificar a diferença entre o que eu como e o que realmente é absorvido e metabolizado pela célula, seria a chave da individualidade. Esta carência não explícita (não aparente) de um ou mais micronutrientes no organismo, seria atualmente identificada como o problema nutricional mais prevalente no mundo. Neste estado, os estoques de vitaminas e minerais diminuem silenciosamente, não apresentando sinais e nem sintomas, que só ficam evidentes quando o estágio mais grave da deficiência está instalado.

E hoje com a tecnologia moderna conseguimos identificar estas carências não explicitas e identificar possíveis erros metabólicos e nutricionais e corrigi-los.

Fonte: Antônio Pacileo

Compulsividade Alimentar x Fome Oculta

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Compulsividade Alimentar x Fome Oculta

A alimentação serve para fornecer os nutrientes essenciais para o funcionamento celular normal. Caso os nutrientes não cheguem até a célula, estes não são metabolizados (fome oculta), e assim, o cérebro manda um sinal para comermos mais e para tentar resgatar a insuficiência de nutrientes e a geração de energia intracelular.

Este é um grande desafio na relação entre: o que eu como, o que meu estômago quebra, o que meu intestino absorve e o que minha célula metaboliza.

Essa é a chave para a questão da individualidade, ou seja, se duas pessoas comem o mesmo prato, não significa que ambos absorvem e metabolizam da mesma forma.

Identificando essas diferenças, o tratamento e a prevenção se tornam individualizados, diminuindo o risco relativo de doenças relacionadas ao metabolismo.

Com o avanço da tecnologia atual, é possível a individualização e correção dos eventuais erros metabólicos.

A Fome oculta, também referida como deficiência marginal, é uma carência não explícita (não aparente) de um ou mais micronutrientes no organismo, sendo atualmente identificada como o problema nutricional mais prevalente no mundo. Neste estado, os estoques de vitaminas e minerais diminuem silenciosamente, sem apresentar sinais nem sintomas, os quais, só ficam evidentes, quando o estágio mais grave da deficiência está instalado.

Constitui-se no estágio anterior ao surgimento de sinais e sintomas clínicos de carência detectáveis e não está necessariamente associado a patologias claramente definidas, como as observadas na má nutrição protéico-energética.

Esta carência pode ocorrer devido à deficiência de um micronutriente específico, porém, freqüentemente ocorre combinada com outras deficiências de vitaminas e minerais, em razão da estreita associação entre fontes alimentares, vias metabólicas e funções fisiológicas de forma que, carências múltiplas podem estar mascaradas pela carência maior de um único micronutriente.

A fome oculta compromete várias etapas do processo metabólico, merecendo destaque as alterações observadas no sistema imunológico e no desenvolvimento físico e mental do indivíduo. Ocorre quando, por razões econômicas, geográficas e/ou educacionais, o indivíduo têm acesso a uma dieta básica pouco diversificada e, normalmente, deficiente em vários micronutrientes, sendo o número de famílias afetadas ainda mais expressivo que os acometidos pela desnutrição protéico-energética.

Fonte: Antônio Pacileo, 2016 / Wikipedia – OMS

 

Parabenos – Mesmo pequenas quantidades podem aumentar o risco de câncer de mama!

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Parabenos, comumente encontrados em uma série de produtos cosméticos, podem aumentar o risco de câncer de mama. Este é o resultado de um estudo realizado por pesquisadores norte-americanos publicado na revista “Environmental Health Perspectives”. Achados mostraram que mesmo pequenas quantidades do produto químico podem contribuir para o risco de câncer. Testes anteriores não conseguiram mostrar esse potencial efeito.

Testes atuais de segurança química medem os efeitos de um produto químico nas células humanas em isolamento. No entanto, já que esses testes não consideraram que os compostos podiam interagir com outras moléculas sinalizadoras, os testes foram insuficientes, explicaram os pesquisadores. Cientistas da Universidade da Califórnia, em Berkeley, tentaram portanto mostrar o que realmente ocorre e examinaram o efeito dos parabenos nas células do câncer de mama que expressam os receptores de estrogênio e HER2.

Usando o fator de crescimento que naturalmente ocorre nas células da mama, a heregulina, pesquisadores estimularam os receptores de HER2 nas células do câncer de mama e expuseram as células aos parabenos. O produto químico fez com que os receptores de estrogênio ativassem os genes, os quais levaram à proliferação das células. Além disso, o efeito foi significativo: os parabenos nas células ativadas por HER2 estimularam o crescimento de células do câncer de mama em concentrações 100 vezes menores do que nas células sem heregulina.

Esses achados sugerem que mesmo pequenas quantidades de parabenos são mais potentes do que os estudos anteriores haviam indicado, disseram os autores. Portanto, médicos devem considerar sua potencial função no desenvolvimento do câncer de mama, principalmente nas doenças positivas para receptores de HER2 e de estrogênio. E mais, o desenho dos testes de segurança deve ser reconsiderado, visto que os atuais métodos de teste podem subestimar determinados impactos, escreveram os cientistas.

 

Fonte: Univadis – Ginecologia e Obstetrícia

Especialidades – Clínica Healthy

Dr. Antonio Alfonso Pacileo Cruz
Diretor Clínico – Clínica Healthy – CRM 55197

Bacharel em Biologia, modalidade médica pela Unisa – Universidade Santo Amaro 1978.

Especialização em Patologia Clinica e bioquímica médica pela UNIFESP Universidade Federal do Estado de São Paulo.

Graduação em Medicina pela Universidade São Francisco, 1985.

Especialização em Ginecologia e Obstetrícia pela Associação Médica Brasileira e pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (RQE 37103).

Especialização em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia. (RQE 26633)

Especialização em Nutrição esportiva Avançada pela Internacional School Of Sports Nutrition and Human Performance NEA 533.

Especialização em toxicologia e Saúde Ocupacional pela Universidade de São Paulo. (RQE 12666)

Pós Graduado em Medicina Integrada e Homeopatia.

Trabalho publicado sobre Suplementação em MAL DE ALZHEIMER na Revista da Associação Brasileira de Nutrição.

Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Nutrologia.

Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstétrica.

Membro efetivo da Associação Nacional do trabalho do Ministério do trabalho.

Curso de Toxinas Ambientais pelo Metametrix Institute, Atlanta USA.

Coordenador médico do Curso de Educação Médica Continuada em Bioquímica Aplicada a Obesidade e doenças Crônicas e Degenerativas (CNA).

Coordenador Médico Do Workshop de Novas Abordagens Bioquímicas e Metabólicas para Medicina Esportiva (CNA).

Diretor Clínico da Clínica Healthy Dr. Antônio Pacileo.

Diretor Científico na área de metabolismo do Laboratório Genova Lab South America.

A clínica foi criada há mais de 15 anos e conta hoje com mais de 15 mil pacientes atendidos.

Clínica Dr. Antônio Pacileo – Healthy e Instituto Leandro Ferreira

A Clínica Dr. Antônio Pacileo – Healthy continua incentivando o desenvolvimento do esporte e da saúde com força total.

O nosso atleta e paciente Leandro Ferreira criou o Instituto Leandro Ferreira com o objetivo de promover a inclusão social de crianças e adolescentes inclusive portadores de deficiências na prática efetiva de esportes.

E contou com o apoio do paratleta, também nosso atleta e paciente, Rodrigo Feola Mandeta pentacampeão brasileiro de paraciclismo de estrada que o triatleta profissional Leandro Ferreira foi guia até o final do ano de 2013, participando do Mundial da Nova Zelândia em 2012, 4º colocados no Mundial de Londres e Campeão Pan-Americano em 2013.

O atleta Rodrigo e seu guia Leandro conquistaram os seguintes titulos:

- Campeão Mundial categoria PT5 – 2011;
- Medalha de Bronze no Campeonato Mundial categoria PT5B – 2012;
- Campeão Pan-americano categoria PT5 – 2013;
- 4º colocado Campeonato Mundial categoria PT5B – 2013;
- Campeão Brasileiro categoria PT5 – 2013.

E recentemente no último dia 15 de Março em Caraguatatuba no Circuito Multi Sports e 1ª Etapa do Campeonato Paulista de Paratriathlon, Rodrigo Feola conseguiu a colocação de:

- Campeão da categoria PT5
Percurso: 750m de natação, 20km de ciclismo e 5km de corrida.

O próximo objetivo de Rodrigo Feola é o Panamericano no dia 1 de Maio.

Para a Clínica Dr. Antônio Pacileo – Healthy, essa parceria é importante para colaborar com o desenvolvimento de crianças e adolescentes e consequentemente a integridade humana.

Para maiores informações e apoio, acesse:

https://sites.google.com/site/instirutolf

Curta a página no Facebok:

http://goo.gl/YVSQF6

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Hormônios

Vários fatores influenciam o Binômio Saúde x Doença, e se tornam muito importantes ao diminuirmos os riscos relativos de doenças com intervenções simples que podem mudar o futuro na relação deste binômio.

Quanto ao risco metabólico relativo de doenças, muitos fatores tais como:

- Obesidade;
- Sedentarismo;
- Excesso de ingesta de gordura saturada;
- Carcinógenos ambientais;
- Estresse, entre outros.

Fatores estes com importância fundamental no incremento do risco relativo, principalmente doenças cardiovasculares e Câncer.

As diferenças individuais também fazem parte dessa avaliação de risco metabólico, por exemplo, quando um paciente metaboliza um hormônio, o produto final desta reação dependerá do complexo enzimático em atividade, que pode tanto trabalhar aumentando ou diminuindo o risco relativo de câncer. Portanto, quando se fala em reposição ou modulação hormonal, deve se levar em conta a individualidade e os fatores metabólicos.

Nutrologia Esportiva

Na Nutrologia Esportiva atuamos na individualização do paciente e/ou atleta e dispomos de exames e testes específicos para melhora de performance, correção metabólica e indicativos com qual seria a melhor faixa de treinamento para o objetivo do atleta.

Na consulta medimos a composição corporal por bioimpedanciometria onde definimos a quantidade de gordura em gramas, percentagem de gordura, massa muscular, provável tipo de fibra muscular, água total corporal, peso muscular por membros e com base nestes dados definimos os macronutrientes a serem ingeridos.

Perfil Metabólico

Hoje, com o advento da tecnologia espectofotometria de massa conseguimos avaliar o que do macronutriente ingerido foi realmente absorvido e metabolizado. Com esse perfil metabólico conseguimos avaliar a produção de energia, corrigir possíveis erros metabólicos, diagnosticar erros inatos do metabolismo individualizando e otimizando a performance do paciente e/ou atleta.

Calorimetria Indireta – Em repouso e em movimento

Exame fundamental para determinar a taxa de metabolismo basal e determinarmos que substrato energético, o paciente ou o atleta está usando durante o estímulo físico, sendo fundamental para definirmos individualmente a faixa de treinamento e nos auxiliar, por exemplo, quando queremos diminuir a taxa de gordura de depósito e/ou diminuir ou aumentar a expressão de fibras musculares.

Avaliação do Sistema Nervoso Autonômico

Um eletrocardiograma utilizando a derivação D2 onde conseguimos avaliar a resistência vascular, sistema nervoso simpático, sistema nervoso parasimpático e a relação entre eles, fundamental na performance do atleta e/ou paciente.

A Nutrologia Esportiva é a área que aplica a base de conhecimentos em nutrologia, fisiologia e bioquímica no esporte e atividades físicas. Entre os principais objetivos da nutrologia esportiva estão promover a saúde, melhorar o desempenho e otimizar a recuperação após os exercícios.

A nutrologia esportiva é uma área acadêmica intimamente relacionada a especialidade médica de Nutrologia, ao curso de Educação Física e de Nutrição tendo a alimentação como um dos aliados mais importantes na conquista dos resultados.

A alimentação balanceada para cada tipo de esporte, e consequentemente cada tipo de atleta, é responsável por manter a produção de energia estável. Desta forma, todas as reações orgânicas do corpo se equilibram. O corpo humano é composto basicamente de água, proteínas, gordura e minerais, e estes componentes são fornecidos ao organismo através de uma seleção de alimentos que possuem as características necessárias para repor os nutrientes gastos nas atividades esportivas.
Desta forma a nutrologia esportiva auxilia o programa de treinamento de cada modalidade, tendo finalidades específicas, como por exemplo, aumento de força ou hipertrofia muscular.

Atualmente a nutrologia esportiva é considerada por pesquisadores como o segundo fator que mais influencia o desempenho de atletas. O primeiro fator é o treinamento.

Por desenvolverem mais massa muscular, os atletas têm um metabolismo basal de cerca de 5% maior do que os sedentários. Sendo assim, o atleta passa desenvolver resistência ao treinamento, gastando menos energia que um sedentário para realizar a mesma atividade.

Sendo a alimentação o principal complemento ao treinamento esportivo, alguns grupos alimentares podem ser valorizados e outros evitados na elaboração de uma dieta esportiva. Nossa alimentação básica é composta pela combinação de seis nutrientes: carboidratos, proteínas, gorduras, água, sais minerais e vitaminas.

A grande diferença do atleta para o sedentário na verdade é em relação às quantidades ingeridas. Os atletas podem apresentar uma necessidade calórica até cinco vezes a de uma pessoa sedentária. Porém, apesar do grande consumo de energia devido aos treinamentos, o atleta deve procurar manter uma dieta que equilibre o balanço calórico, de nutrientes, hídrico, mineral e vitamínico.
Dentro os principais grupos alimentares, os carboidratos e as vitaminas são os mais consumidos, pois são os responsáveis pela produção imediata de energia e uma série de reações químicas.
Uma alimentação rica em gorduras é prejudicial a todos e também para o atleta. Por outro lado, a gordura tem um poder de concentração energética altíssimo. Quanto mais treinado o atleta, maior a sua capacidade em usar gordura como energia e poupar glicogênio.

Já as proteínas são consumidas de forma ordenada. A ingestão por si só não aumenta a massa muscular. A única maneira de hipertrofiar o músculo é com treinamento de força. Por isso é equivocada a ideia que se tem de ingerir grandes quantidades de proteína e suplementos de aminoácidos como se isso fosse imprescindível para o aumento muscular.
Os atletas de corridas de resistência, por exemplo, precisam de proteína extra porque a atividade longa provoca alterações estruturais nas membranas celulares. Já os de força precisam de proteína por ser ela a principal substância formadora de músculo e auxiliar da hipertrofia muscular.

Essencial no nosso dia a dia, a água é a fundamental em qualquer atividade física. A perda de água é um fator limitante ao desempenho. A sede só é sentida quando se perdeu 2% do peso corporal em água. Nessa situação o rendimento já está comprometido e um atleta de 70 kg precisaria ingerir 1,4 litros de água para voltar ao estado de hidratação normal. Se a atividade foi feita com uma hidratação satisfatória, não deve haver diferença entre o peso antes e depois do exercício. O atleta deve acostumar-se a beber líquidos antes, durante e depois da atividade, mesmo sem sentir sede.

Assim como a água, a falta de vitaminas e minerais pode prejudicar o rendimento de um atleta. A variedade na alimentação, inserindo diferentes tipos de alimentos na dieta, é a forma mais eficaz de repor os minerais e vitaminas gastos durante o treinamento. Pratos coloridos e ricos e vegetais são fontes ricas desses nutrientes.

Níveis elevados de Metilmalonato e Homocisteína na Urina

O metilmalonato é um intermediário do metabolismo dos ácidos graxos de cadeia ímpar, da isoleucina, valina, metionina e treonina. Ele está elevado quando você tem uma insuficiência de metabolização de Vitamina B12, por sinal é teste padrão ouro para o diagnóstico desta insuficiência . Portanto na homocisteína elevada com metilmalonato aumentado na urina significa insuficiência de Vitamina B12.

Erros Inatos do Metabolismo

INTRODUÇÃO

Os erros inatos do metabolismo (EIM) são distúrbios de natureza genética que geralmente correspondem a um defeito enzimático capaz de acarretar a interrupção de uma via metabólica. Ocasionam, portanto, alguma falha de síntese, degradação, armazenamento ou transporte de moléculas no organismo.

Tais erros do metabolismo são considerados a causa das Doenças Metabólicas Hereditárias (DMH) em que a ausência de um produto esperado, acúmulo de substrato da etapa anterior a interrompida ou o surgimento de uma rota metabólica alternativa podem levar ao comprometimento dos processos celulares.

Esse grupo de doenças representa cerca de 10% de todas as doenças genéticas.E ainda hoje, são tidos por muitos profissionais como casos extremamente raros de se deparar durante a prática clínica sendo, muitas vezes, a última hipótese diagnóstica.

Em grande parte, são doenças que afetam todo o organismo e podem se manifestar em qualquer faixa etária, fazendo com que médicos de diferentes especialidades devam atentar aos sinais e sintomas de um erro metabólico em qualquer paciente que, porventura, possa ser encaminhado aos seus cuidados.

A incidência isolada de cada uma das doenças metabólicas é pequena, até porque tratam-se de doenças que, em geral, têm herança autossômica recessiva. No entanto, se forem contabilizados os dados dos cerca de 500 distúrbios conhecidos, a freqüência se torna mais expressiva, de aproximadamente 1/5000 nascidos vivos. Deve ser considerado que os números baixos podem representar, não só a raridade dos distúrbios, como, também, a subestimação de seu diagnóstico.

No Brasil, estima-se a prevalência isolada de algumas doenças, como da fenilcetonúria, variando entre 1:12000 e 1:15000, da Doença da Urina de Xarope de Bordo com prevalência de 1:43000 e da Deficiência de Biotinidase com 1:125000 recém nascidos vivos.
HISTÓRIA

Os estudos sobre os EIM iniciaram-se na primeira década do século XX quando Archibald Garrod descreveu a alcaptonúria. Em seu clássico artigo eram destacados os aspectos genéticos da doença que foi uma das primeiras alterações para a qual a herança mendeliana recessiva foi proposta. Ao tratar da “individualidade química, estava dando início à genética bioquímica.

A Garrod deve-se o termo consagrado “Erros Inatos do Metabolismo-, título de seu livro, publicado em 1909, no qual descrevia além da alcaptonúria, outras doenças metabólicas como o albinismo, porfiria e pentosúria.

É válido ressaltar que a relação entre os aspectos bioquímicos e genéticos puderam ser melhor esclarecidos apenas em 1941, quando Beadle et al. propuseram a hipótese “um gene – uma enzima”, considerando que todos os processos bioquímicos do organismo ocorrem sob controle gênico e, portanto, mutações gênicas levariam a rotas bioquímicas deficientes.

Desde a segunda edição do livro Erros Inatos do Metabolismo, em 1923, quando se incluíam no grupo apenas seis doenças metabólicas hereditárias, até o ano de 1950, o avanço no conhecimento sobre estes distúrbios foi lento. A situação se transformou a partir dessa década com o desenvolvimento de novas técnicas laboratoriais, como a cromatografia e eletroforese de proteínas. Além disso, a tecnologia do DNA possibilitou a detecção das causas moleculares dos erros inatos.

Nos dias atuais, admite-se a existência de mais de 500 doenças metabólicas hereditárias, às quais se juntam novas descobertas, progressivamente.
CLASSIFICAÇÃO

Tratando-se de alterações metabólicas bastante distintas, os Erros Inatos do Metabolismo possuem diversas classificações. No entanto, é conveniente descrever aquela estabelecida por Saudubray e Charpentier (1995)por se apresentar mais didática e de maior aplicação clínica.

De acordo com essa classificação, os EIM dividem-se em duas categorias: a Categoria 1, engloba as alterações que afetam um único sistema orgânico ou apenas um órgão, como o sistema imunológico e os fatores de coagulação ou túbulos renais e eritrócitos; a Categoria 2, abrange um grupo de doenças cujo defeito bioquímico compromete uma via metabólica comum a diversos órgãos, como as doenças lisossomais, ou restrito a um órgão apenas, porém com manifestações humorais e sistêmicas, como a hiperamonemia nos defeitos do ciclo da uréia.

Dessa forma, as doenças da Categoria 2 apresentam enorme diversidade clínica e acarretam grande dificuldade diagnóstica, diferenciando-se, ainda, neste aspecto das doenças da Categoria 1 nas quais os sintomas são uniformes e, portanto, o diagnóstico é facilitado.

Respeitando a grande variabilidade de alterações da Categoria 2, as doenças metabólicas hereditárias que a compõem são divididas em três diferentes grupos conforme suas características fisiopatológicas e fenótipo clínico:

Grupo I: Distúrbios de síntese ou catabolismo de moléculas complexas;

Grupo II: Erros inatos do metabolismo intermediário que culminam em intoxicação aguda ou crônica;

Grupo III: Deficiência na produção ou utilização de energia.

Entre os distúrbios de síntese ou catabolismo de moléculas complexas estão as doenças lisossomiais, que são as mucopolissacaridoses e as esfingolipidoses, assim como as doenças peroxissomiais.

Os distúrbios do grupo I apresentam sintomas permanentes que tendem a acentuar com o passar do tempo, como facies grosseira, dismorfias, visceromegalias, neurodegeneração, entre outros, respeitando a localização do acúmulo.

As doenças metabólicas enquadradas no grupo II compreendem as aminoacidopatias, os defeitos dos ácidos orgânicos e do ciclo da uréia e as intolerâncias aos açúcares. Caracterizam-se por apresentarem intervalos livres de sintomas e relação evidente com o aporte alimentar. As manifestações levam, de maneira geral, à intoxicação aguda e recorrente ou crônica e progressiva.

O grupo III inclui doenças cuja clínica é decorrente de alterações de produção e consumo energéticos. Em sua maioria, são provenientes de distúrbios do fígado, miocárdio, músculo e cérebro. Manifestam-se, comumente, através de hipoglicemia, hipotonia generalizada, miopatia, insuficiência cardíaca, retardo de crescimento e até morte súbita, entre outros sintomas. Exemplos desse grupo são as glicogenoses, hiperlacticemias congênitas, doenças mitocondriais da cadeia respiratória e defeitos na oxidação de ácidos graxos.

AVALIANDO A FUNÇÃO MITOCONDRIAL:

1 – Ácidos orgânicos, marcadores da beta-oxidação das gorduras:

  • Adipato
  • Suberato
  • Etilmalonato

2 – Ácidos orgânicos, marcadores do metabolismo dos carboidratos:

  • Piruvato
  • Lactato
  • Hidroxibutirato

3 – Ácidos orgânicos com marcadores do ciclo do ácido cítrico (ciclo de Klebs):

  • Citrato
  • Cis-Aconitato
  • Isocitrato
  • Alfa-Cetoglutatarato
  • Succinato
  • Fumarato
  • Malato

4 – Ácidos orgânicos, marcadores da fosforização oxidativa:

  • Succinato
  • Fumarato
  • Hidroxidometilglutarato

5 – Ácido orgânico, marcador da metabolização da vitamina B12:

  • Metilmalonato

6 – Ácido orgânico, marcador da metabolização do ácido fólico:

  • Figlu

 

Fonte: Revista Paraense de Medicina, “Erros inatos do metabolismo: revisão de literatura“, Antonette Souto El Husny, Milena Coelho Fernandes-Caldato

Calorimetria Indireta – Em Repouso e em Atividade Física

INTRODUÇÃO:

O gasto energético diário compreende o dispêndio energético basal (DEB), o efeito térmico dos alimentos e o dispêndio da atividade física. O dispêndio energético basal relaciona-se ao gasto energético referente ao metabolismo de repouso, que representa 60% a 75% do total e inclui a energia gasta pelo organismo para manter suas funções vitais, entre elas o funcionamento dos sistemas cardiovascular e respiratório, e pelos mecanismos termorregulatórios responsáveis pela regulação da temperatura corporal.

Hipermetabolismo é definido quando o gasto energético é maior do que 30% do metabolismo basal. Hipometabolismo é definido  e quando o gasto energético está abaixo de 10% , ou mais, da taxa do dispêndio energético basal.

A energia correspondente ao efeito térmico dos alimentos refere-se ao gasto provocado pela digestão, absorção, transporte, transformação, assimilação e/ou armazenamento dos nutrientes, que varia de acordo com o substrato consumido. Em jovens eutróficos, com peso constante, a ingestão de hidratos de carbono aumenta o gasto energético em 5% a 10%, a ingestão de lipídios aumenta de 3% a 5% e a de proteínas aumenta aproximadamente 20%. Assim, considera-se que, em uma dieta mista habitual, o efeito térmico do alimento em teoria é de aproximadamente 5% a 7% do seu conteúdo energético.

Por fim, define-se como efeito térmico do exercício o dispêndio de energia referente à realização do trabalho mecânico externo; este representa 15% a 30% do dispêndio energético diário, e varia com o nível de atividade física, levando-se em conta a intensidade e a duração do esforço físico realizado.

A calorimetria indireta é um método não-invasivo que mede o gasto energético diário, por meio da determinação das trocas gasosas pulmonares, ou seja, do volume do oxigênio consumido (VO2) e do volume do gás carbônico produzido (VCO2) durante o ciclo respiratório. A partir da determinação dos volumes expiratórios, do oxigênio e do gás carbônico, também é possível calcular a taxa de oxidação dos substratos energéticos glicídicos e lipídicos. Essa energia medida refere-se à conversão da energia química dos nutrientes em energia química armazenada na forma de ligações de fósforo pelo ATP (adenosina trifosfato) e a energia liberada na forma de calor durante o processo de oxidação.

A relação entre o VCO2 e o VO2 é conhecida como quociente respiratório (QR) e pode ser utilizada para indicar o tipo de substrato que está sendo preferencialmente oxidado por uma pessoa em um dado momento.

Os diferentes substratos energéticos, glicídios e lipídios, além da proteína, consomem diferentes quantidades de oxigênio e produzem diferentes quantidades de gás carbônico no seu metabolismo. O DEB pode ser estimado por meio da fórmula de Harris-Benedict, na qual considerasse o peso, a altura e a idade do indivíduo.

Porém, esta é uma estimativa que muitas vezes não corresponde à realidade. Assim como proposto nessa diretriz, a forma mais adequada de quantificar o DEB é pela determinação dos gases pulmonares, ou seja, VO2 e VCO2. Para tanto, e por meio da calorimetria indireta, os valores de VO2 e VCO2 são transformados pela fórmula de Weir simplificada, obtendo-se, assim, o DEB:

O QR diminui quando a gordura é o substrato predominante para o metabolismo, como, por exemplo, na inanição. Nesses casos, o valor se encontra entre 0,65 e 0,70. Em indivíduos com alimentação saudável, o QR normalmente se encontra entre 0,8 e 0,9.

Quando ocorre a liponeogênese verdadeira ou a conversão de carboidratos em gordura, como nos casos de supra-alimentação, normalmente observa-se QR maior do que 1,0. Valores abaixo de 0,65 e acima de 1,25 sugerem erro na técnica de medição. Valores negativos de taxa de oxidação de lipídios indicam que está ocorrendo lipogênese e valores negativos de taxa de oxidação de hidratos de carbono indicam que está ocorrendo neoglicogênese. O Quadro 2 apresenta exemplos práticos de VO2, VCO2 e os respectivos valores de quociente respiratório, taxas de oxidação e dispêndio energético.

 INDICAÇÕES: 

Os benefícios da otimização da nutrição para a recuperação de doenças e na gestão da saúde têm sido documentados. Tanto uma supraalimentação quanto uma subalimentação têm impacto negativo na recuperação e na cura do paciente. Diminuir um balanço energético negativo tem efeito positivo na sobrevivência e pode reduzir complicações em pacientes hospitalizados. Bartlett et al. reportaram uma mortalidade três vezes maior em pacientes cirúrgicos de UTI com risco de falência múltipla dos órgãos que apresentaram balanço energético negativo. Já em pacientes com supra-alimentação, foram observados controle glicêmico difícil, respostas neuroendócrinas alteradas, aumento do risco de complicações por infecção, demora para desmame da ventilação mecânica e, até mesmo, aumento de mortalidade.

Adicionalmente, as complicações associadas a sub ou supra-alimentação muitas vezes são prejudiciais. Para atingir a melhor qualidade de assistência ao paciente, devem ser oferecidas dietas específicas quanto ao teor de macronutrientes energéticos individualizados.

Para tanto, a calorimetria indireta é uma base científica e prática para a abordagem personalizada das necessidades energéticas do paciente e de nutrientes para maximizar os benefícios da terapia nutricional. Esta abordagem personalizada já está bem estabelecida na prática clínica em geral, como, por exemplo, no ajuste da medicação por meio de farmacovigilância, ou otimizando a oxigenação do sangue. Tradicionalmente, a calorimetria indireta tem sido subutilizada, principalmente devido aos custos, escassez de pessoal treinado, e falta de conhecimento pelo médico de como utilizar e manipular os dados de VO2 e VCO2 para medir o dispêndio energético e as taxas de oxidação de gorduras e hidratos de carbono em diferentes situações clínicas. Atualmente e com o avanço tecnológico, calorímetros indiretos estão mais fáceis de operar, tornaram-se portáteis e têm preço acessível. O aumento da utilização da calorimetria indireta facilita assistência individualizada ao paciente, resultando em maior eficácia terapêutica. Existe comprovação científica de que a calorimetria indireta pode ser usada nos pacientes com déficits ou riscos nutricionais, fatores de estresse físico ou situações em que o uso da equação de Harris-Benedict esteja prejudicado, como, por exemplo:

  • Trauma neurológico;
  • Paralisia;
  • Doença pulmonar obstrutiva crônica;
  • Pancreatite aguda;
  • Câncer com tumor residual;
  • Trauma múltiplo;
  • Amputações;
  • Pacientes nos quais peso e altura não podem ser medidos com acurácia;
  • Pacientes que não responderam ao previamente estimado;
  • Paciente que requerem uso prolongado de cuidado intensivo;
  • Sepse grave;
  • Pacientes extremamente obesos;
  • Pacientes com hiper ou hipometabolismo grave;
  • Pacientes em ventilação mecânica;
  • Doença de Chron;
  • Sobrepeso.

CONTRAINDICAÇÕES:

- Gestantes;
- Peso corporal acima de 160 quilos.

OBJETIVOS DA CALORIMETRIA INDIRETA:

 Os objetivos da medida do dispêndio energético pela calorimetria indireta são:

  • Medir o VO2 e o VCO2;
  • Calcular o DEB;
  • Calcular a taxa de oxidação de lipídios e hidratos de carbono;
  • Determinar com acurácia o DEB dos pacientes com ventilação mecânica, para guiar a terapia nutricional parenteral adequada;
  • Determinar com acurácia o QR, para permitir regimes nutricionais moldados para cada paciente;
  • Determinar com acurácia o DEB e o QR, para monitorar a adequação e a apropriação da terapia nutricional utilizada;
  • Determinar o O2 usado durante a respiração como um guia para selecionar o tipo de ventilação mecânica a ser utilizada, configurações específicas de cada paciente, e estratégias de desmame;
  • Monitorar o VO2 como um guia para atingir a quantidade certa de oxigênio que deve ser oferecida;
  • Avaliar a contribuição do metabolismo para a ventilação.

PREPARO:

No dia do exame, após o banho, não utilizar cremes, pomadas ou gel.
Vir ou trazer roupa confortável (agasalho/tênis) e toalha caso o paciente deseje tomar banho.
Não fumar duas horas antes e uma hora após o exame.
Dieta normal duas horas antes ou dieta leve uma hora antes do exame (o paciente não deve fazer o exame em jejum).
A suspensão de medicação em uso fica a critério do seu médico e na dependência dos objetivos do exame. Quando o objetivo é diagnosticar a doença arterial coronária, caso seja possível, recomenda-se suspender remédios que possam mascarar as manifestações da doença, como betabloqueadores (atenolol, propranolol, metoprolol), inibidores dos canais de cálcio (diltiazem, verapamil) e vasodilatadores coronarianos (dinitrato ou mononitrato de isossorbida, nitroglicerina).
Não ingerir bebidas à base de cafeína 06 horas antes do exame.
Estar em repouso há pelo menos 15 minutos antes do exame.
Tempo médio do exame 30 minutos, podendo – se entender em casos específicos.

 

FONTE:

ACF Dias. et al. Gasto Energético Avaliado pela Calorimetria Indireta. Associação Brasileira de Nutrologia, Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral, Sociedade Brasileira de Clínica Médica. Jan – 2009.