Tratamento da Obesidade

Muito além da balança

O médico que atua na área de Medicina Preventiva, Dr. Antonio Pacileo diz que a obesidade não pode ser medida somente pelo índice de massa corporal. O paciente deve ser avaliado como um todo!

Sim, porque quando subimos na balança o peso do músculo também é calculado. E ele só faz bem à saúde! O que deve ser combatida é a chamada gordura branca, que ainda é responsável por doenças como diabetes e vários tipos de câncer. Antonio Pacileo, que atua na Clínica Healthy, fala mais sobre os riscos do excesso de peso e alerta: não há remedinho milagroso.

Como medir a gordura branca?

O meio mais prático é usar um aparelho chamado impedanciômetro, que consegue medir a porcentagem de gordura. Mas há outros recursos. O valor limite dessa composição para a mulher deve variar entre 16% e 26%. Já para o homem, entre 10% e 20%. E a gordura é dividida em dois tipos. A primeira é a branca, ruim, porque não tem gerador de energia e é como um material amorfo. A outra é a marrom, rica em energia, que fica mais na região do peitoral.

E a branca se encontra mais em quais partes do corpo?

No abdômen e mama. E ela não tem função nenhuma: a pessoa só a carrega, para cima e para baixo. Além disso, é cancerígena e inflamatória, ou seja, todas as doenças neurodegenerativas que você possa imaginar estão relacionadas ao déficit de produção de energia.

E qual o papel do músculo?

Em contrapartida, ele é o maior produtor de energia. O envelhecimento, inclusive, é caracterizado pela redução da massa muscular e da produção de energia e o aumento da gordura branca. Por isso perdê-la não é uma questão de estética, mas de saúde. Para você ter ideia, a última estatística americana mostra que a obesidade é responsável por: 49% dos cânceres de endométrio, 35% de esôfago, 28% de mama, 24% de rim, 21% de vesícula e 9% do câncer colorretal.

E como definir obesidade?

Não se pode falar que obesidade é sobrepeso, da forma como é calculado por meio do IMC (Índice de Massa Corporal, obtido com a divisão do peso pela altura ao quadrado). É sobrepeso em gordura branca! O IMC de uma pessoa com massa muscular desenvolvida pode dar elevado sem que ela seja gorda. São os músculos que pesam! Por isso acho que esse parâmetro não deveria ser mais usado.
Dentro da composição corporal o que pesa menos é a gordura, que tem volume.

Há outros exames fundamentais para diagnosticar obesidade e definir o tratamento?

Com certeza. É preciso avaliar o emocional, a função tireoidiana, a parte metabólica e hormonal do paciente. Há um teste chamado Organix, em que é avaliada toda a
função mitocondrial, para ver se não há nenhum erro metabólico. É nessa mitocôndria que se queima a gordura de depósito, é lá que está a resposta do jogo. Você pega alguém que tem muita gordura branca, não produz energia. O que o organismo faz? Aumenta a reserva porque ele produz pouco! Outro ponto importante é que tratamento igual para todo mundo não existe. E a maior dificuldade está no entendimento do paciente de que não existe fórmula mágica, uma pílula salvadora.

O Doutor não recomenda tratamento medicamentoso?

Com os remédios tradicionais contra a obesidade, não. O paciente tem, sim, que corrigir erros
metabólicos, como o diabetes, com medicamentos. Não uso os inibidores de apetite tradicionais. Acho que são uma bomba-relógio, porque quando a pessoa para de usar, volta a ganhar a peso.

A abordagem é individual?

Sim. Gêmeos idênticos, com o mesmo genoma, apresentam mais de mil diferenças entre si! E hoje você dispõe de testes bioquímicos em que é possível falar dessa individualidade. Se eu e você nos sentarmos à mesa e comermos o mesmo prato, o que você absorve é completamente diferente, já que depende de uma série de fatores, como idade, sexo, se está tomando remédio ou não, pH estomacal, pH intestinal, da flora bacteriana…
A abordagem é diferente de anos atrás e hoje é possível, sim, avaliar a pessoa como um todo.

Mudar hábitos de vida também é essencial contra o excesso de peso?

É só pensar que não se encontra uma grande quantidade de obesos no Japão, ao contrário dos Estados Unidos, com fast foods em cada esquina… Comer a cada três horas, em pequenas quantidades, fazer boas escolhas alimentares, incluindo carboidratos complexos (grãos integrais), e fazer atividade física regularmente, meia hora por dia, que seja, de alguma coisa que mais gosta.

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